Samsung e Motorola poderiam ter mais concorrentes com modelo SKD no Brasil


Um levantamento feita pela empresa de consultoria Newzoo mostra que o Brasil tem mais de 109 milhões de usuários de smartphones. Isso faz do país um mercado muito interessante para as empresas do setor. Mas poderia ser mais se o processo produtivo fosse diferente por aqui.

Samsung Galaxy M53 5G (imagem ilustrativa: Darlan Helder/Tecnoblog)

É o que Gilberto Novaes dá a entender. O executivo é o fundador da Transire, empresa que, hoje, trabalha em conjunto com a TecToy. Para ele, um dos fatores que impedem o Brasil de ter mais competitividade no segmento de celulares é o modelo de logística CKD (Complete Knock-Down).

A sigla descreve uma abordagem na qual um produto não chega completo ao país, mas na forma de kits de componentes para que o item seja montado por aqui. Essa estratégia é padrão no mercado nacional de celulares, embora também exista em outros segmentos da indústria, como o automotivo.

No entendimento de Novaes, o Brasil deveria adotar o SKD (Semi Knock-Down). Na primeira olhada, esse modelo lembra o CKD, mas tem a diferença de permitir que o produto chegue ao país com partes pré-montadas.

Novaes explica que o modelo SKD dispensaria a obrigatoriedade de produção de componentes intermediários para os produtos, a exemplo de módulos de placas.

Para o executivo, essa etapa torna o processo de produção mais complexo e resulta na geração de poucos empregos. Em maio, Gilberto Novaes chegou a comentar sobre isso na FIEAM:

Venho há mais de cinco anos dizendo que a indústria tem que sair do sistema CKD, que nos obriga a comprar determinados insumos no Brasil. Enfrentamos valores superfaturados, falta de opções de fornecedores no Brasil e, muitas vezes, incompatibilidade tecnológica, e isso impede que lancemos nossos produtos.

Vantagens para a TecToy Transire?

Será que Novaes não está simplesmente querendo criar circunstâncias mais favoráveis para a Transire no mercado, ainda mais agora que a empresa está de mãos dadas com a TecToy?

Talvez. Hoje, a companhia fabrica principalmente maquininhas de cartão. Como o nome TecToy é mais conhecido, talvez a Transire consiga ganhar força em produtos para o consumidor final. Entre eles estariam celulares.

Seja como for, o executivo tem razão ao afirmar que o mercado brasileiro de celulares poderia ser mais competitivo. O Brasil é o quinto maior em produção de celulares. Apesar disso, temos poucas marcas com presença significativa por aqui, com destaque para Samsung e Motorola.

Gilberto Novaes complementa:

Ao analisarmos os países com maior produção industrial de celulares, que são China, Índia, Brasil, Vietnam e Indonésia, o Brasil é aquele que apresenta as maiores barreiras a novos entrantes.

O PPB [Processo Produtivo Básico] de celulares no país impõe a verticalização de processos no formato CKD, atribuindo maiores pesos em processos que exigem alto investimento, porém com baixa agregação de mão de obra (geração de emprego).

Isso favorece a formação de oligopólio, já que 94% das vendas no setor de celulares ficam concentradas em apenas cinco fabricantes. Poderíamos ter muito mais emprego e geração de valor com uma mudança neste sistema.

Em tempo, as primeiras informações sobre a união da TecToy com a Transire surgiram em abril, mas a relação entre ambas existe há anos. Em 2015, quando a Transire foi fundada, a empresa alugou instalações da TecToy para produzir as suas primeiras maquininhas.

Samsung e Motorola poderiam ter mais concorrentes com modelo SKD no Brasil


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