Gangue hackeava carros de chave presencial para roubá-los; 31 suspeitos foram presos


Nesta segunda-feira (17), a Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação Policial) anunciou a prisão de 31 pessoas suspeitas de roubarem carros na França, na Espanha e na Letônia. O que chama a atenção é que os criminosos miravam apenas veículos com chaves presenciais e quase todo esquema acontecia de forma remota, isto é, via software.

Hackers miravam modelos de carros com chaves presenciais (imagem: Mika Baumeister/Unsplash)

Chaves presenciais são aquelas que não possuem a parte metálica feita para ser inserida na ignição do carro. Na verdade, tudo acontece por ondas de radiofrequência, que a permitem travar ou destravar o veículo e ligar ou desligar o motor do automóvel de forma remota.

Entre os 31 suspeitos presos, estão os desenvolvedores do software que possibilitava o roubo, os revendedores do programa e os ladrões dos veículos, que invadiam e saíam dirigindo os carros. De acordo com a Europol, todos os modelos eram de duas fabricantes francesas, que não foram identificadas.

A operação foi comandada pelo Centro de Crimes Cibernéticos da Guarda Francesa (Junalco) e coordenada pela Europol. Segundo as autoridades, 22 locais foram investigados nos três países europeus.

Além disso, mais de 2 milhões de euros, 12 contas bancárias, 3 carros de luxo e imóveis foram apreendidos na França; o domínio do site que hospedava o software também foi suspenso. O grupo é investigado de perto pela Europol desde março passado.

#BelleAffaire Démantèlement par les #gendarmes du #ComCyberGend , d’une organisation criminelle internationale qui facilitait le vol de voitures par piratage:
53K connexions captées;
2,7 millions d’euros de préjudice;
31 interpellations;@Europol @Eurojust #JUNALCO pic.twitter.com/exFFFhUv2K

— Gendarmerie nationale (@Gendarmerie) October 15, 2022

Software era vendido como ferramenta de diagnóstico

O pacote com o programa malicioso era vendido na internet por cerca de 4 mil euros, mas ele era apresentado como uma ferramenta de diagnóstico automotivo. Na verdade, segundo a Europol, ele era usado para “substituir o software original dos veículos”.

Com as chaves dos automóveis duplicadas, os criminosos programavam cópias em branco e conseguiam abrir portas e até dar partida.

Por mais que já tenha sido derrubado, as autoridade não compartilharam o endereço do site em que os pacotes eram vendidos, mas disse que interceptou 53 mil conexões, número que pode representar as tentativas de reprogramar chaves.

As agências policiais também não detalharam como os bandidos conseguiam instalar ou conectar o app malicioso nos veículos a fim de fazer com que as chaves duplicadas funcionassem.

Para o site francês 20 Minutes, há a possibilidade de funcionários de concessionárias ou de oficinas — lugares onde os veículos são deixados por um longo período sem supervisão — recebessem quantias em dinheiro para ajudar nesse esquema.

Com informações: Europol, Eurojust e 20 Minutes

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