Compra da Activision Blizzard pela Microsoft é aprovada no Brasil sem restrições


Nesta quarta-feira (5), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, a compra da Activision Blizzard pela Microsoft. Anunciado em janeiro, acordo pode ter sido um dos maiores da história da indústria de games: cerca de US$ 70 bilhões. Para o órgão, a decisão foi tomada com base na “proteção da concorrência enquanto meio de promover o bem-estar do consumidor brasileiro”.

Brasil é o segundo país a aprovar compra da Activision Blizzard pela Microsoft (Imagem: Reprodução)

Um dos pontos mais questionados desse negócio é uma possível ameaça à concorrência, indagação manifestada principalmente pela Sony. No entanto, o CADE entende que, se os jogos da Activision Blizzard deixarem os consoles da chinesa, usuários do PS podem “migrar para o Xbox, ou mesmo para um PC” e continuar jogando.

Ainda na decisão, a autarquia brasileira diz que, caso os próximos títulos da franquia se tornem exclusivos da Microsoft, os jogares poderão “abandonar a série, migrando sua demanda para outros jogos disponíveis em seu console favorito.”

O CADE observou também que a gigante de Redmond pode julgar “lucrativa a adoção de uma estratégia de exclusividade sobre os jogos da Activision Blizzard”, mesmo que isso resulte “em sacrifício de parte relevante das vendas, dos usuários e até da popularidade” da franquia.

Brazil’s competition regulator, CADE, has approved Microsoft’s Activision Blizzard acquisition without restrictions. It says the decision was made for Brazilian consumers, and “not the defence of the particular interests of specific competitors.” pic.twitter.com/Ec9K0fHSSz

— Tom Warren (@tomwarren) October 6, 2022

Exclusividade de CoD não afetará concorrência, diz CADE

O CADE considera que uma possível exclusividade de Call of Duty não prejudicará a concorrência. Para o órgão, a Nintendo, por exemplo, “não depende […] de qualquer conteúdo da Activision Blizzard para competir no mercado”, portanto o acordo não afetará de forma significantes seus negócios.

A Sony também não deverá ser prejudicada, diz a decisão. Embora os conteúdos da holding sejam muito importantes para a chinesa, ela é “líder do mercado de consoles” e os títulos não representam um “insumo essencial” ao negócio da companhia.

Sem contar que, apesar de Call of Duty ser uma franquia importante para a Sony, o PlayStation continua sendo o líder no mercado de consoles, possui a maior base instalada e um “catálogo robusto de jogos exclusivos”.

Sede da Activision em Santa Monica, na Califórnia (Imagem: Divulgação/Activision Blizzard)

Para o CADE, diante da forte posição do PS no mercado, assim como seus consumidores fiéis e as parcerias com “publicadores third-party” são justificativas para a chinesa “contribuir para manter a competitividade do PlayStation” mesmo se CoD for removido por completo.

Apesar de todas as observações, a autarquia afirma que o principal objetivo de sua atuação “é a proteção da concorrência enquanto meio de promover o bem-estar do consumidor brasileiro, e não a defesa de interesses particulares de concorrentes específicos.”

Brasil é o segundo país a aprovar compra

O Brasil, vale ressaltar, é o segundo país que aprova o negócio — o primeiro foi a Arábia Saudita, que também não apresentou restrições à compra.

Agora, o negócio está sendo analisado por outros países. A Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) tem algumas preocupações sobre ele e deverá se pronunciar no próximo mês.

A União Europeia e o Reino Unido também estão investigando o acordo de perto. Inclusive, o órgão regulador britânico estabeleceu o prazo até 1º de março de 2023 para tomar sua decisão.

Com informações: VGC

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