Microsoft segue caminho oposto das big techs e não vai sinalizar fake news

Microsoft segue caminho oposto das big techs e não vai sinalizar fake news

Microsoft não vai rotular fake news nos conteúdos de suas plataformas. Em uma entrevista à Bloomberg, o presidente Brad Smith afirmou que, em vez da sinalização, vai focar em “transparência” para evitar a imagem de censura por parte da companhia. O posicionamento é o oposto ao de outras big techs, como Meta, Twitter e Google.

Entenda o que propõe o PL das Fake NewsComo denunciar fake news ao TSE pela internetMicrosoft (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

As declarações dão um norte à estratégia da companhia, dona do LinkedIn e Bing, para lidar com desinformação. Smith afirmou que a Microsoft deseja oferecer mais informações ao público sobre quem fala e o que está sendo dito. Assim, os próprios espectadores poderão julgar se aquele conteúdo é verdadeiro ou não. 

“Toda a nossa abordagem precisa ser fornecer às pessoas mais informações, não menos, e não podemos tropeçar e usar o que outros podem considerar a censura como uma tática”, afirmou. Neste caso, Smith trata das acusações de censura às empresas de tecnologia quando rotulam ou derrubam um conteúdo com desinformação.

O presidente da companhia ainda apontou que não é papel das big techs definir o que é desinformação. “Não acho que as pessoas queiram que os governos lhes digam o que é verdadeiro ou falso”, disse Smith. “E eu não acho que elas estejam realmente interessadas em que as empresas de tecnologia digam a elas.”

Brad Smith, presidente da Microsoft (Imagem: Reprodução)

Microsoft foca em “transparência” para conter fake news

A sinalização é uma estratégia adotada por algumas empresas para conter as fake news, como é o caso da Meta. A Microsoft, por outro lado, decidiu seguir um caminho diferente para combater a desinformação. Não à toa, sem revelar muitos detalhes, Smith ressaltou que a empresa terá uma meta principal: “transparência”.

Conforme observado pelo portal, a empresa se concentra na investigação de campanhas de desinformação. Esse esforço vem com o apoio da equipe de cibersegurança da companhia, que ajuda a levantar dados sobre os incidentes. Depois, essas informações são compartilhadas com governos para que iniciativas sejam tomadas.

A abordagem pode ser interessante, mas talvez não funcione em tempo hábil. Em 2018, um estudo do MIT revelou que, no Twitter, as fake news atingiram as pessoas mais rápido do que as informações verificadas e comprovadas. A pesquisa ainda apontou que humanos, e não bots, tiveram um papel primordial na proliferação de desinformação.

Boa parte das big techs optou por outras soluções para conter as fake news (Imagem: terimakasih0/Pixabay)

Meta, Twitter e Google vão em outra direção

Enquanto isso, outras empresas de tecnologia seguiram por um caminho diferente nos últimos anos. A Meta, por exemplo, baniu 1,3 bilhões de contas falsas do Facebook entre outubro e dezembro de 2020. Na época, a ação conseguiu conter mais de 100 operações secretas de influência estrangeira e doméstica. 

O Twitter é outra empresa tomou uma iniciativa mais enérgica em relação ao assunto. Além dos rótulos, no começo de 2022, a rede social liberou a ferramenta para denunciar fake news no Brasil. Assim, os usuários podem reportar uma publicação com desinformação como um “conteúdo enganoso”.

O YouTube foi até ameaçado de ser bloqueado na Rússia por remover fake news sobre a COVID-19. O caso aconteceu em 2021, depois que a plataforma retirou do ar dois canais alemães gerenciados por uma estatal russa. O serviço do Google também removeu 14 lives e um vídeo do presidente Jair Bolsonaro que defendiam o uso da cloroquina e ivermectina no tratamento da COVID-19.

Com informações: Bloomberg

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