Exposições imersivas: a tecnologia que te leva para dentro do quadro


A arte e a tecnologia se tornam grandes aliadas em exposições imersivas (Imagem: Vitor Pádua/ Tecnoblog)

A tecnologia imersiva se torna cada vez mais popular, principalmente nos setores de cultura e entretenimento. A realidade aumentada em videogames e salas de cinema 6D, por exemplo, buscam inserir as pessoas dentro dos mais diversos conteúdos. E a arte não fica de fora: exposições imersivas usam, principalmente, projetores de última geração para criar uma nova relação entre os visitantes e as obras.

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Na prática, esse tipo de mostra de arte não é particularmente novo, mas as tecnologias usadas nelas avançam rapidamente ao longo dos anos. A proposta pode variar de espaço para espaço, mas todas elas buscam, de alguma forma, inserir as pessoas dentro dos quadros, contextualizando também a vida do artista e movimentos artísticos no processo.

Para nos aprofundarmos mais nesse assunto, o Tecnoblog escolheu a Beyond Van Gogh, em São Paulo, e a Monet à Beira D’Água, no Rio de Janeiro, como objetos de estudo. As duas exposições imersivas combinam projeções e música para criar salas verdadeiramente únicas. Tendo ou não conhecimento prévio sobre os artistas e suas obras, visitantes de qualquer idade conseguem desfrutar dos dois eventos.

Os repórteres Bruno Ignacio e Bruno Gall De Blasi visitaram, respectivamente, a Beyond Van Gogh e a Monet à Beira D’Água. Neste texto, eles compartilham suas impressões e análises baseadas em suas experiências nas exposições.

O Tecnoblog também entrevistou Philippe Menezes, gestor da exposição Beyond Van Gogh, Hugo Rodrigues, sócio da On Projeções — empresa responsável pelo equipamento usado no evento — e Naum Simão, curador da Monet à Beira D’Água.

Conforme você vai ler nos próximos parágrafos, a aliança entre tecnologia e arte abre novas portas para a cultura, sem a necessidade de muito conhecimento sobre o assunto. As exposições imersivas, além de proporcionar experiências divertidas para todos os públicos, pautam também a inclusão social nesse universo e despertam o interesse sobre as obras, a história e os artistas.

Sobre a Beyond Van Gogh:

O conteúdo da Beyond Van Gogh foi idealizado pela startup canadense Normal Studio e já passou por cerca de 100 cidades nos Estados Unidos, Canadá, Peru, Chile, Porto Rico e, agora, no Brasil. Inaugurada em São Paulo (SP) em março, a exposição produzida pelo DC Set Group conta com um espaço total de 2.500 m² e um conjunto de quarenta projetores. São cerca de 60 minutos de visitação, contemplando 300 obras de Vincent Van Gogh (1853 – 1890). O evento vai até o dia 03 de julho de 2022.

Exposição Beyond Van Gogh em São Paulo (Imagem: Divulgação/ DC Set)

Sobre a Monet à Beira D’Água:

A exposição Monet à Beira D’Água foi inaugurada em março, no Rio de Janeiro (RJ). A mostra concentra-se em apresentar as pinturas de Claude Monet (1840 – 1926) através do tema da água e a partir de uma narrativa audiovisual em oito partes. Ao todo, o projeto utiliza 285 obras licenciadas do pintor, que são projetadas em painéis com sete metros de altura. O evento está previsto para durar até 12 de junho de 2022.

Exposição Monet à Beira D’Água no Rio de Janeiro (Imagem: Reinaldo Ponte/ Divulgação)

A experiência imersiva

Beyond Van Gogh te coloca dentro de A Noite Estrelada

Por Bruno Ignacio:

Desde que consigo me lembrar, sempre estive muito próximo da arte. Vindo de uma família de artistas plásticos, visitei exposições durante toda minha vida. Vincent Van Gogh, em particular, é um artista que sempre admirei, seja pela sua grande expressividade em cada pincelada, ou ainda por ser considerado o pai do modernismo. Mesmo assim, sempre me entristeceu o fato de ele não ter recebido nenhum reconhecimento em vida.

No entanto, diferentemente do século XIX, em 2022 vejo algo como a Beyond Van Gogh, um evento grandioso em dedicação a um dos meus artistas favoritos. Não apenas grandioso em tamanho, mas também em proposta. Desde o início da exposição, me senti inserido em um filme interativo e contemplativo sobre sua vida, obras e emoções.

Essa impressão não é apenas minha. Em entrevista ao Tecnoblog, a visitante Mylla Galvez afirmou: “mergulhei de cabeça, me envolvi, me emocionei, dei risadas… fiquei encantada.” Ela complementa, dizendo ainda que, mesmo já tendo visto exposições imersivas antes, sua experiência na Beyond Van Gogh foi única.

Entro por uma porta estreita e há faixas de tecido caindo do teto. Nelas e nas paredes estão girassóis, em alusão a algumas pinturas que Van Gogh fez. Em combinação com uma iluminação que remete à luz do sol, você se sente realmente caminhando entre os girassóis pintados pelo artista. Mas esse é apenas o início da exposição, e ainda não não há nenhum fator tecnológico envolvido.

Entrada da exposição Beyond Van Gogh (Imagem: Darlan Helder/ Tecnoblog)

A verdadeira mágica começa no primeiro salão de projeções. Em meio à escuridão, há luzes e formas dançantes pelo chão e pelas paredes. Além da beleza das próprias cores e padrões que remetem pinceladas, esta sala rapidamente me fez pensar em como Van Gogh poderia visualizar a luz e as formas do céu enquanto pintava.

Como um pós-impressionista, ele se preocupava muito mais com a percepção da luz do que com as formas definidas e realistas das coisas que retratava. Nesse sentido, logo me dei conta como a imersão que comecei a experienciar está também no próprio conceito e equipamentos usados na exposição. Projeções de formas e cores são, basicamente, luzes. “Será que era assim que Vincent Van Gogh via o mundo?”, me questionei.

Maravilhado ainda na primeira e menor sala, entrar no grande salão principal é a experiência central da Beyond Van Gogh. São 2.000 metros quadrados de projeção, contando as colunas, o chão e as paredes.

Em entrevista ao Tecnoblog, o visitante Paulo Henrique Souza disse que o salão principal de projeções é o ápice da visita. “Maravilhosa, encantadora, estou em êxtase depois de tudo que eu vi, principalmente na sala imersiva com todas as projeções”, comentou. Para ele, a tecnologia ali usada o ajudou a “sair do monótono de apenas olhar quadros”.

No espaço, múltiplas obras são apresentadas de acordo com cada fase artística de Van Gogh. Às vezes são retratos que piscam, “será que estou ficando louca igual ele?”, comentou Galvez sobre a experiência. Em outro momento, é a natureza morta que ganha vida, quando as flores dos vasos crescem e se alastram por toda a sala, abrindo caminho para uma nova fase de paisagens.

A Noite Estrelada, de Vincent Van Gogh, projetada nas paredes e no chão (Imagem: Darlan Helder/ Tecnoblog)

Algumas obras recebem mais destaque e são projetadas por todo o salão, com um arranjo musical perfeito e animações que te inserem na paisagem. Logo, me chama a atenção algo curioso e, ao mesmo tempo, surpreendente. Não vejo sombras. São tantos projetores, que, a não ser que eu chegue muito perto de uma parede, não vejo nenhuma sombra, nem mesmo no chão.

Na sala principal de projeções, são 35 minutos de um espetáculo luminoso e contemplativo. Mesmo assim, fiquei por mais tempo no local. A imersão proporcionada pela aliança entre arte e tecnologia realmente me impressionou. Estando muito mais acostumado com mostras tradicionais, me vi ali em uma situação inusitada.

Geralmente, eu passava vários minutos de frente a um único quadro, analisando suas pinceladas e interpretando toda a obra com meu conhecimento sobre o artista, o contexto histórico e tudo mais que estudei. O quadro fica ali, estático, enquanto aguarda você como o agente ativo para interpretá-lo.

Na Beyond Van Gogh, me senti no papel inverso. As luzes projetadas fazem o papel ativo na relação entre a obra e o visitante. Desta vez, fiquei sentado apenas observando sem esforço. As histórias por trás de cada obra, os detalhes das pinceladas, o que se passava na vida de Van Gogh naquele momento… tudo isso e muito mais é entregue sem esforço pelas animações, transições e ambientação.

Na prática, eu poderia não conhecer quase nada sobre ele, mas mesmo assim entenderia os sentimentos que o artista transmitiu em cada pintura. Para mim, essa inversão de papéis foi o que mais me maravilhou em toda a experiência. Uma verdadeira imersão artística por meio de uma complexa tecnologia de projeções. Vi muitas crianças, inclusive, que sentavam e deixavam no chão apenas contemplando o espetáculo.

Repórter Bruno Ignacio na Beyond Van Gogh (Imagem: Darlan Helder/ Tecnoblog)

Monet à Beira D’Água proporciona um mergulho nas obras do pintor

Por Bruno Gall De Blasi:

O Monet sempre foi um artista que chamou a minha atenção, ainda que não conhecesse muito o seu trabalho. Quando pensei nessa exposição, lembrei imediatamente de umas de suas obras mais conhecidas: a famosa ponte arqueada sobre a lagoa com lírios d’água. No entanto, me perguntei na mesma ocasião: tirando este quadro, o que mais eu conhecia?

Entrei na exposição com esta curiosidade, a fim de conhecer o que havia além dessa obra. E, sem dúvidas, notei um universo mágico já na entrada, pois é como pular e mergulhar dentro de um quadro. Afinal, você é rapidamente envolvido por cores, sons e inúmeras sensações diferentes em um salão enorme.

E é aqui que acontece toda a mágica. A exposição pode ser resumida em um salão com vários projetores espalhados. Mas a interação não se resume somente aos olhos e ouvidos, pois há dois lagos para refletir as imagens na água. Tem até uma ponte arqueada, assim como no quadro.

O cenário lembra um cinema. A narrativa é costurada pelas obras do Monet, que ganham vida com as pinturas animadas e projetadas nas paredes, chão e teto. Em quadros que mostram os bares de cidades grandes, como Paris, há barulhos tanto de copos quanto de vozes. Até o chão treme quando a locomotiva passa pela estação.

Reflexões das projeções na água Monet à Beira D’Água (Imagem: Raquel Igne/ Tecnoblog)

A percepção é sinalizada por outras pessoas que tiveram a oportunidade de ir à mostra. “Parece que você está dentro de uma pintura”, disse Viviane Pereira, que visitou uma exposição desse tipo pela primeira vez, ao Tecnoblog. “Eu acho que todo mundo tinha que ter a oportunidade de vir conhecer, pois isso é muito bom para a cultura, para a vida”.

E, de fato, é como se a realidade estivesse suspensa por alguns instantes. Teve momentos que me senti dentro de um jardim, com direito ao barulho de pássaros e dos lagos – faltou só o cheiro para ficar mais próximo. Mas também havia momentos de tensão, demarcados por uma iluminação mais carregada e uma música mais agitada.

“A [imersão] dá um outro ponto de perspectiva para as obras. Porque você não vê elas como uma imagem. Você vê elas mais como uma cena”, disse Rafael Moreira, que também visitou a exposição imersiva Van Gogh e Seus Contemporâneos, no Rio de Janeiro (RJ). Para ele, a imersão contextualiza mais as obras no ambiente.

A exposição também me mostrou um mundo além do convencional do artista. De repente, as pontes e jardins da minha memória ganharam cidades, estações de trem, praias e muito mais. Além disso, verdade seja dita: não saí de lá especialista em Monet. Mas, se me mostrarem um quadro do pintor, eu poderei dizer que se trata de uma obra do grande impressionista.

Repórter Bruno Gall De Blasi na Monet à Beira D’Água (Imagem: Raquel Igne/ Tecnoblog)

O papel cultural e social das exposições imersivas

A imersividade proporcionada pela tecnologia nessas exposições abrem novas portas para o entendimento sobre a arte, a história e os movimentos artísticos. Trata-se de uma experiência mais inclusiva, que permite que qualquer um, independentemente da idade e de seu nível de educação sobre o assunto, possa desfrutar da visita.

Além disso, é um modelo que ajuda a despertar o interesse da população sobre os quadros e artistas, especialmente no mundo em que o entretenimento rápido predomina. O Tecnoblog conversou com Phillippe Menezes, gestor da exposição Beyond Van Gogh, para entender o pouco mais como a imersividade auxilia na visualização das obras do século XIX.

“Hoje vivemos no mundo dos celulares. Acreditamos que a arte imersiva causa uma ruptura nesse padrão. Meu sobrinho, por exemplo, prefere até mesmo assistir conteúdo no smartphone do que numa televisão ou telão. Porém, na exposição imersiva ele nem tem como fugir do conteúdo enquanto você caminha dentro das obras do artista”.

Phillippe Menezes, gestor da exposição Beyond Van Gogh

Menezes afirma que a escolha de trazer a imersividade nessa exposição de Vincent Van Gogh é “popularizar um artista que já é uma grande referência na arte ocidental, mas que as vezes ficava muito nichado nos espaços de museus”. Segundo o gestor da Beyond Van Gogh, em uma mostra tradicional, você não pode encostar na obra ou interagir com ela diretamente.

Beyond Van Gogh atrai pessoas de todas as idades (Imagem: Darlan Helder/ Tecnoblog)

Na imersão, você pode deitar no chão e praticamente entrar dentro da obra”, complementa Menezes. Conforme observado por ele na Beyond Van Gogh, a imersão dura cerca de 60 minutos, enquanto o looping no salão principal é de 35 minutos de projeções. No entanto, “o brasileiro fica lá por cerca de duas horas, deita, se conecta, chora, solta risadas…”

Com isso, a cultura e a arte de Van Gogh cruza barreiras que vão de encontro com o próprio sonho do artista. “Ele [Vincent Van Gogh] morreu vendendo apenas uma tela. Ele tinha o sonho de que sua arte tocasse o público com ternura e emoção. Isso foi uma ponte que atravessamos nessa exposição, contextualizada com o centenário de arte moderna”, conclui Menezes.

“Fazemos uma analogia: vendo uma obra física, você observa um aquário. Em uma exposição imersiva, você se torna o peixinho dourado”.

Phillippe Menezes, gestor da exposição Beyond Van Gogh

Em entrevista ao Tecnoblog, o curador da Monet à Beira D’Água, Naum Simão, observa que “as novas gerações tiveram mais experiências com o vídeo do que com a tela de um pintor”. Sendo assim, o uso do audiovisual ajuda a despertar o interesse de públicos mais jovens. Mas isto não significa que uma exposição é melhor do que a outra. Trata-se de uma questão de alinhamento entre sensibilidade e tecnologia no contexto atual.

Na Beyond Van Gogh, Menezes também explica que a experiência é para “todos os públicos. Ele exemplificou que, pelas estatísticas de visitação da exposição em São Paulo, a maioria dos visitantes vem em família, e muitas excursões escolares vêm conhecer a mostra de arte imersiva. Em nossa visitação, observamos crianças de todas as idades se divertindo no meio do show sensorial de música e projeções.

“O desenho e a pintura no século XVI eram os grandes responsáveis pelas inovações tecnológicas na imagem. No século XX, o cinema e o vídeo tomaram a frente nesse processo. No XXI as tecnologias digitais iniciaram outra etapa nesta história da imagem.”

Naum Simão, curador da Monet à Beira D’Água

E é aí que entram as tecnologias imersivas. Este resultado é fruto de elementos que aproveitam o espaço físico, como projeções em multitelas aliados à cenografia e sistema de som apropriados, e à experiência virtual, com tecnologias de realidade virtual (VR, em inglês), que trabalham em conjunto. “Desse modo, está se desenhando um alinhamento entre as tecnologias de educação e de imersão”, concluiu.

Segundo Phillippe Menezes, a tecnologia possibilita que todos aproveitem da exposição e que saiam de lá “com uma pequena mudança de percepção” sobre a arte, o artista e suas obras. “Você vê não apenas uma pintura, mas também seus valores e o que a cultura pode falar por si mesma”, acrescenta.

Afinal, como essas exposições são realizadas?

Claro, realizar esse tipo de exposição não é fácil. Em entrevista ao Tecnoblog, Hugo Rodrigues, sócio da On Projeções, a empresa responsável por todo o equipamento e instalação na Beyond Van Gogh, compartilhou vários detalhes técnicos do evento.

Vamos aos números. São 40 projetores de última geração de 10 mil lumens no local. Entre eles, 34 estão apenas no salão principal para cobrir cerca de 2 mil metros quadrados com projeções. Ao todo, são 300 obras apresentadas no looping, retratando 3 mil pinceladas em mais de 80 milhões de pixels. São no mínimo, são 14 dias de montagem.

Estrutura que sustenta 34 projetores no salão principal na Beyond Van Gogh (Imagem: Divulgação/ On Projeções)

Para que praticamente não exista sombra no local, Rodrigues explica que se usam projetores em 90 graus, “como a luz do sol no meio dia”. Outra tecnologia chamada “edge blending” faz com que cada projetor se sobreponha em 20% da imagem do outro, com um escurecimento automático de 50% nessas regiões. Dessa forma, não é possível ver qualquer divisão ou descontinuidades nas imagens projetadas.

40 projetores são usados na Beyond Van Gogh (Imagem: Divulgação/ On Projeções)

Claro, “somente” projetores de última geração não fazem tudo isso sozinho. Há uma sala nos bastidores com cerca de dezesseis computadores potentes, “parecidos com máquinas gamers”, segundo Rodrigues. Esses PCs trabalham em conjunto para processar uma infinidade de informações e manter o looping de projeções rodando perfeitamente na exposição.

Nos bastidores, 16 computadores potentes mantém o looping de projeções rodando (Imagem: Divulgação/ On Projeções)

Segundo o sócio da On Projeções, essa tecnologia é a mais avançada que temos no mundo atualmente, e a Beyond Van Gogh no Brasil já supera, em qualidade técnica, as outras realizadas em mais de 100 cidades no mundo.

“Essa tecnologia democratizou um setor que, muitas vezes, é chato para as novas gerações.”

Hugo Rodrigues, sócio da On Projeções

Para Simão, a percepção do público de uma pintura animada e apresentada em grandes dimensões vigora entre os maiores impactos da exposição. “Num tipo de trabalho como esse, é difícil separar a obra de Monet da tecnologia”, afirmou. “O grande impacto para o público está no fato de ele estar tão ‘afundado’ nessa experiência que não consegue separar a obra de Monet da experiência tecnológica. As duas coisas ficam diluídas uma na outra nesse tipo de exposição”.

É legal, mas também é caro

O acesso a essas exposições, no entanto, não é tão simples. Em São Paulo (SP), a entrada inteira da Beyond Van Gogh custa à partir de R$ 80 durante semana, ou ainda R$ 140 no finais de semana. A meia entrada para estudantes, por exemplo, custa metade do valor.

Phillippe Menezes explicou em entrevista que a exposição chegou ao Brasil sem patrocinadores ou apoio governamental, por isso os preços são tão elevados. Além disso, o custo com equipamento, produção e montagem tiveram que ser pagos pela venda de ingressos.

No Rio de Janeiro (RJ), a exposição Monet à Beira D’Água é um pouco mais acessível. Caso opte pela inteira, o ingresso sai por R$ 40. Já a meia entrada, destinada a estudantes, menores de 21 anos e afins, custa R$ 20. Tudo isso sem contar o gasto da ida e da volta ao local da mostra, próximo à Praça Mauá, no Centro.

O projeto, por outro lado, desenvolveu algumas alternativas para ampliar o acesso à exposição. Segundo o curador Naum Simão, o impacto social no nível da educação sempre foi uma das ambições da intervenção. Por isso, a exposição desenvolveu programas para receber as escolas com educadores qualificados para orientar a experiência.

A outra ação é voltada para quem realmente não consegue chegar até o espaço físico da exposição. Trata-se de um programa itinerante, que leva a exposição até as escolas de diversas regiões do país com o auxílio de uma equipe de educadores que oferecem oficinas práticas e experiências em Realidade Virtual (RV) com a obra do Monet.

“Com isso, seja através da experiência física ou virtual, pretendemos ampliar o alcance dos conteúdos referentes à arte”, afirmou Simão. “A formação do público não acontece apenas na mostra, mas na escola. Por essa razão, Monet à Beira D’Água almeja se fortalecer como um suporte de apoio para os educadores no trabalho de formação.”

Simão também observou que a exposição alcançou todas as faixas etárias, desde crianças até pessoas de terceira idade. “Temos esse misto de redescoberta e descoberta ao mesmo tempo. No mesmo espaço e no mesmo e ao mesmo tempo, alguém está conhecendo o artista e outro redescobrindo-o”, complementou.

No caso da Beyond Van Gogh, Menezes afirmou que a inclusão social é uma pauta extremamente importante para o DC Set Group. Por isso, quando a exposição chegar ao Rio de Janeiro, a empresa planeja trabalhar em conjunto com escolas públicas e comunidades para trazer mais pessoas ao evento gratuitamente, algo que não foi possível em São Paulo.

Colaborou: Bruno Gall de Blasi

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