Conhecendo a fábrica da Intelbras: da produção aos incansáveis testes

Conhecendo a fábrica da Intelbras: da produção aos incansáveis testes

Fábrica da Intelbras em São José, Santa Catarina (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Não sei quanto a você, mas eu já encontrei tantos eletrônicos com qualidade duvidosa vindos de empresas brasileiras que fico facilmente desconfiado de marcas nacionais. Mas não é justo generalizar. Por aqui, algumas companhias se esforçam para criar dispositivo modernos e que cumprem o que prometem. A Intelbras é uma delas.

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Certamente, você já viu a marca em interfones, aparelhos telefônicos, câmeras de segurança e, de uns tempos para cá, em roteadores Wi-Fi e fechaduras digitais. Esses são apenas alguns exemplos. Hoje, o portfólio da empresa tem cerca de 1.200 produtos diferentes.

Mas a companhia quer mais. Para você ter uma ideia, uma investida recente é o segmento de automatizadores de portões. Como que para provar que não está de brincadeira, na terça-feira (24), a Intelbras convidou alguns veículos para conhecer a sua fábrica. O Tecnoblog estava entre eles.

Máquinas para todos os lados (e muito gente também)

A Intelbras tem quase 50 anos. A empresa foi criada no ano de 1976, em São José (SC). A sua sede continua por lá. Mas, hoje, a companhia tem filiais em Manaus (AM), Santa Rica do Sapucaí (MG) e Jaboatão dos Guararapes (PE).

Em 2020, em uma operação que envolveu mais de 250 carretas, a companhia transferiu as suas linhas de produção em São José para uma fábrica maior localizada no mesmo município. Foi essa unidade que nós conhecemos.

Gislaine Demétrio, da Intelbras, com um case de automatizador recém-fabricado (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

A fábrica é tão limpa que a mancha no meu tênis parecia uma afronta. A unidade também é organizada e bem iluminada. Mas não demorou para as máquinas roubarem a minha atenção.

Vimos linhas de montagem com máquinas que inseriam componentes em placas com uma agilidade impressionante. Tudo é tão automatizado que parecia que uma delas iria erguer um braço e nos oferecer café a qualquer momento.

De repente, uma máquina ao meu lado soou um alarme e acendeu algumas luzes. Por um instante, pensei que ela estava de complô com a esteira de raio x que me barrou no aeroporto. Mas era só um aviso de que uma placa recém-montada não havia passado pelo controle de qualidade.

Aquela máquina tem a função de “escanear” o dispositivo e identificar imprecisões no posicionamento de componentes que, nós, meros mortais, dificilmente encontraríamos a olho nu.

Dali, fomos conferir outro setor bastante automatizado: o de injetores, que produz os cases de plástico dos dispositivos da Intelbras. A máquina que vimos até girava o componente depois de pronto para facilitar a sua estocagem e conferência — quando algum defeito é encontrado, o case é enviado para reciclagem.

Mas, sim, há pessoas por ali. No setor de integração, encontramos vários funcionários trabalhando com componentes que exigem instalação manual nas placas. Melhor dizendo, funcionárias. A maioria era mulheres. Suponho que isso é efeito da percepção de que as mulheres têm mais habilidade para lidar com peças delicadas.

Atualmente, a Intelbras emprega cerca de 5 mil pessoas. 1.200 trabalham na fábrica de São José.

A fábrica é só uma parte

Com um indisfarçável orgulho, Gislaine Demétrio, analista de produtos e negócios, contou que a Intelbras levou apenas 20 dias para transferir as linhas de produção da matriz para a nova fábrica. Mas a sede continua funcionando, tanto que também fomos para lá.

Caminhar pelas áreas do local trouxe uma sucessão de descobertas. Começou pelas mais óbvias: produtos da Intelbras estão espalhados por todos os lados, das catracas do controle de acesso às câmeras de vigilância. Curiosamente, também nos deparamos com alguns dispositivos sendo testados nos corredores.

Entre os vários departamentos com os quais cruzamos, as unidades de desenvolvimento e pesquisa de produtos se destacavam, pelo menos para mim. Técnicos e engenheiros com ferro de solda na mão, concentrados no esquema de algum dispositivo ou mexendo meticulosamente em componentes não eram raros por ali.

Um dos vários setores da sede da Intelbras (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Neste ponto, vale destacar que a Intelbras não traz produtos prontos de fora e simplesmente coloca a sua marca neles. A companhia tem vários fornecedores de componentes, nacionais e internacionais, mas os produtos em si são desenvolvidos, produzidos e testados no Brasil.

A sede também abriga uma imensa área de pós-vendas. Qualquer pessoa que já teve uma experiência ruim com o suporte técnico de uma empresa tende a acreditar que as pessoas que trabalham nesse serviço têm pouco ou nenhum preparo. Em muitos casos, isso é verdade. Mas a Intelbras transmitiu uma impressão diferente.

Além das equipes de nível 1, que atendem ao primeiro contato dos clientes, há os níveis 2 e 3. Cada um assume o atendimento quando o anterior não consegue resolver o problema.

Fiquei positivamente surpreso ao descobrir que os níveis 2 e 3 têm salas com dezenas, talvez centenas de produtos em pleno funcionamento. Motivo: as equipes desses níveis recorrem a esses dispositivos para reproduzir o problema do cliente e encontrar a solução.

Equipamentos em teste para as equipes de suporte (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Mas isso não quer dizer que o nível 1 faz apenas o básico. Um dos líderes do setor me contou que, para atender sozinho (sem supervisão direta), os analistas de suporte passam por treinamentos que podem durar de seis a 12 meses, dependendo da área de atuação.

Se funciona? Fernanda Makowiecky, supervisora de pós-venda, relatou que só o suporte da divisão de controle de acesso, que inclui fechaduras digitais, interfones e automatizadores de portão, recebe uma média de 13 mil ligações por mês. Ah, ela também disse que a Intelbras tem pontuação 9 (de 10) no Reclame Aqui. E tem mesmo.

E esse negócio de automatizador de portão?

As placas e cases que vimos sendo montados estão relacionados a um tipo de produto relativamente novo para a Intelbras: automatizadores de portão, com destaque para a linha Strat.

Leigo no assunto que sou, via esse tipo de equipamento como algo meramente mecânico. Me enganei. O uso de tecnologias aparece do desenvolvimento do produto ao que é entregue para o usuário.

Um exemplo está no vídeo abaixo. A sala mostrada ali simula portões deslizantes e basculantes sendo abertos e fechados de modo robotizado, por assim dizer. Ali, os técnicos e engenheiros testam a resistência do automatizador com diferentes pesos, circunstâncias ou configurações.

Quando falo de configurações, me refiro aos componentes que podem equipar o aparelho. Por exemplo, automatizadores para uso em uma casa podem contar com uma coroa (engrenagem) de nylon, mais acessível. Para condomínios, porém, uma coroa de bronze é mais indicada. Ela é mais cara, mas suporta um número maior de ciclos de abertura e fechamento.

O produto finalizado também tem lá os seus atributos, como a tecnologia anticlonagem do controle remoto, baseada em criptografia AES de 128 bits.

Samuel Ambrósio, gerente do segmento de automatizadores de portões, contou que a Intelbras entrou nesse segmento há cerca de seis meses, mas que o desenvolvimento dos primeiros dispositivos levou dois anos e meio.

Esse processo envolveu testes e feedbacks de mais de 100 clientes que já trabalhavam com os produtos da marca. Fazendo essas parcerias, a companhia teve algumas sacadas simples, mas bem pensadas, como criar uma proteção que impede insetos ou lagartixas de acessarem a central (placa) do automatizador.

Também achei interessante quando Ambrósio contou que a linha Strat é compatível com o IGD 110, um acionador Wi-Fi que permite controlar o portão remotamente, via comando de voz ou no aplicativo.

Tem até um app para profissionais da área sendo preparado. Com ele, bastará ao instalador conectar um módulo ao automatizador para configurar vários parâmetros do dispositivo por meio do celular. O aplicativo deve ser lançado oficialmente até julho.

Automatizadores de portão da Intelbras (imagens: divulgação)

Mas não é o bastante

Relatar as impressões positivas que tive ao conhecer a Intelbras não é o mesmo que atestar que todos os produtos da marca são maravilhosos ou não falham. Isso seria mentira. Mas é válido, sim, olhar com mais atenção para uma empresa que tenta se destacar no mercado brasileiro, muitas vezes enfrentando concorrentes estrangeiros.

O temor de que algo negativo escape é comum em eventos como esse, razão pela qual visitas a fábricas pela imprensa não são muito frequentes. Então, quando uma organização abre as suas portas desse jeito, é porque ela está segura sobre os seus processos.

PVDLab, um “simulador” de ponto de venda (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

De fato, encontramos ambientes limpos e organizados. A maioria dos funcionários que conversaram com a gente descrevia as suas atividades com boa vontade e orgulho. Nos deparamos com numerosas salas de testes e desenvolvimento. No setor de pós-venda, vi um analista de suporte tão concentrado em sua tarefa que ele sequer notou a nossa presença.

Até coisas que poderiam ter sido escondidas estavam lá, a exemplo de algumas pilhas de produtos separados para serem retrabalhados por não terem passado no controle de qualidade.

Não deve parar por aí. A Intelbras deixou claro que vai expandir o seu portfólio de produtos e mostrou disposição para melhorar as linhas que já produz. Para tanto, a sede em São José, já parcialmente reformada, continuará sendo melhorada. Até uma fábrica nova está a caminho, esta em Tubarão, também em Santa Catarina.

Tudo muito legal, mas ainda acho que aquela máquina tentou me assustar.

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