Apple “alerta” funcionários sobre consequências de se unir a sindicatos


A Apple está discretamente combatendo os esforços de alguns funcionários de suas lojas que vêm tentando se unir a sindicatos em busca de condições melhores de trabalho. Segundo informações obtidas pela Vice, a companhia está orientando os gerentes das Apple Stores nos Estados Unidos a desencorajar as iniciativas, alertando sobre possíveis consequências.

Para onde vão as multas do Procon à Apple, Google, Amazon?15 perguntas e respostas sobre o Apple TV+Apple (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Um comunicado enviado pela empresa aos gerentes de lojas foi obtido pela Vice. No documento, a Apple os orienta a repassarem aos funcionários algumas informações, querendo desencorajar as iniciativas de se unir a sindicatos. Entre os recados, há discretas ameaças de que as ações dos trabalhadores poderiam resultar na perda de oportunidades de carreira, folgas e flexibilidade de trabalho.

Funcionários reclamam de condições de trabalho

Durante reuniões de rotina, os gerentes ainda disseram que a Apple prestaria “menos atenção ao mérito” das lojas que se sindicalizarem. Também foi repassada uma mensagem de “incentivo”:

“Há muitas coisas a serem consideradas. Uma delas é como um sindicato pode mudar fundamentalmente a maneira como trabalhamos… O que torna uma loja excelente é ter uma equipe que trabalha bem em conjunto. Isso nem sempre pode acontecer quando um sindicato representa os membros da equipe.”

Parte do comunicado transmitido pelos gerentes das lojas da Apple aos funcionários

De acordo com as informações obtidas pela Vice, os comunicados foram entregues a líderes de diversas Apple Stores nos Estados Unidos. Uma delas é a loja da empresa dentro do Shopping Atlanta Cumberland. Seus funcionários foram os primeiros a se organizar em uma tentativa de se juntar ao sindicado de trabalhadores de comunicação da América (CWA).

Entre as reclamações mais presentes, estão os salários relativamente baixos para o mercado regional, condições de trabalho difíceis e oportunidades de promoção limitadas. Procurada pela Vice, a Apple não respondeu a um pedido de comentários sobre as informações obtidas. Em vez disso, a empresa apenas enviou uma declaração genérica:

“Temos a sorte de ter membros incríveis na equipe de varejo e valorizamos profundamente tudo o que eles trazem para a Apple. Temos o prazer de oferecer grandes compensações e benefícios para funcionários que trabalham em tempo integral e meio período, incluindo assistência médica, reembolso de mensalidades, uma nova licença parental, licença familiar, concessões anuais de ações, e muitos outros.”

Posicionamento da Apple enviado à Vice

No mês passado, o Engadget falou com uma funcionária de uma das Apple Stores. Na ocasião, a vendedora Elli Daniels reclamou das condições de trabalho e dos salários pagos pela companhia:

“Todo mundo merece a oportunidade de não se preocupar se pode comprar comida ou pagar suas contas. Todo mundo merece poder morar na cidade em que trabalha.”

Elli Daniels , funcionária de uma Apple Store, em entrevista ao Engadget

Amazon e Starbucks também combatem sindicalização

Centro de distribuição da Amazon em Cajamar (SP) (Imagem: Divulgação)

A Apple não é a única grande empresa americana a reprimir iniciativas de sindicalização entre seus funcionários. A Amazon e Starbucks, por exemplo, também contrataram o mesmo escritório de advocacia da Apple para lidar com situações parecidas nos EUA. A história é quase sempre a mesma: gerentes e líderes de setores foram orientados a “alertar” os trabalhadores sobre as consequências de se unir a um sindicato.

Mais recentemente, funcionários do TikTok também denunciaram condições ruins de trabalho. Há uma recente onda de reclamações públicas sobre salários, folgas e carga de trabalho nas grandes empresas tech. As críticas geralmente mencionam o rápido aumento no custo de vida no mundo todo, enquanto os salários e benefícios não acompanham a inflação.

No caso da Apple Store em Atlanta, a votação sobre se unir ou não ao sindicato CWA está marcada para meados de junho. Enquanto isso, outras lojas da empresa em Maryland e Nova York seguem discutindo e buscando propostas de sindicalização.

Com informações: Vice, Engadget

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