Hare é uma nova linguagem de programação que tenta substituir o C

Hare é uma nova linguagem de programação que tenta substituir o C

Seja você um desenvolvedor iniciante ou experiente, a ideia de experimentar uma linguagem de programação nova pode te agradar. É o caso da Hare. A novidade foi anunciada oficialmente nesta semana e chega com uma proposta audaciosa: ser uma alternativa à linguagem C, que está no mercado há 50 anos.

GitHub tem uma versão para desktop que acaba de ficar mais fácil de se usarOs macetes mais valiosos no Google para quem trabalha com programaçãoDigitando em notebook (imagem ilustrativa: Christin Hume/Unsplash)

Não é exagero falar em audácia. A linguagem C surgiu em 1972 pelas mãos, principalmente, de Dennis Ritchie, que também é conhecido por suas grandes contribuições ao Unix. Em seus primeiros anos, a linguagem não fez muito sucesso. Mas tudo mudou a partir de 1978, quando Ritchie e Brian Kernighan publicaram o livro The C Programming Language.

De lá para cá, o C serviu de base para incontáveis projetos, com destaque para uma reimplementação do próprio Unix. Isso foi possível porque a linguagem é flexível (pode ser direcionada a vários tipos de software), tem sintaxe estruturada e não exige muitos recursos de hardware. E essas são apenas algumas de suas vantagens.

O Hare surge com a proposta de incorporar, se não todas, a maioria das qualidades do C, mas indo além em alguns aspectos. No anúncio oficial, Drew DeVault, líder do projeto, o descreve da seguinte forma:

Hare é uma linguagem de programação de sistemas desenhada para ser simples, estável e robusta. O Hare usa um sistema de tipo estático, gerenciamento manual de memória e tempo de execução mínimo. É apropriado para desenvolver sistemas operacionais, ferramentas de sistema, compiladores, software de rede e outras tarefas de baixo nível e alto desempenho.

No mesmo texto, DeVault afirma que quase todos os programas desenvolvidos em C podem ser escritos em Hare. Por que alguém faria essa mudança? Nas palavras do desenvolvedor, porque programar em “Hare é mais simples do que em C”.

Ao falar de simplicidade, DeVault não se refere, necessariamente, à sintaxe (em tempo, o conjunto de regras de composição das instruções de uma linguagem), mas da incorporação de alguns facilitadores, por assim dizer.

Eis um exemplo: ao The Register, o desenvolvedor contou que se inspirou na linguagem Go, do Google, para incluir baterias (conjuntos de recursos) na biblioteca padrão do Hare. Desse modo, pode-se diminuir ou até eliminar a importação de dependências.

Código na linguagem Hare (imagem: reprodução)

Será que o Hare vinga?

Projetos com a proposta de substituir a linguagem C de uma forma ou outra não são novidade. Um exemplo notável é a linguagem Rust, que surgiu em 2010 pelas mãos da Mozilla. Desde que foi lançado, o Rust vem sendo adotado em numerosos projetos, mas isso não quer dizer que outras linguagens estejam perdendo espaço em razão disso.

Eu tive a oportunidade de escrever alguns poucos códigos em C na faculdade (passei mais tempo estudando C++). Eram coisas que iam um pouco além do “Hello, World”.

Apesar disso, na época, pude perceber que o C demoraria para ser coisa do passado. Isso porque a linguagem carrega uma grande bagagem. Nela, estão ampla documentação e suporte a múltiplas arquiteturas, por exemplo.

Bagagem é algo que o Hare ainda não tem. Então, é difícil fazer alguma previsão sobre o seu futuro. Mas pelo menos o projeto parece ser sério. De acordo com Drew DeVault, ele e cerca de 30 colaboradores estão trabalhando na linguagem há quase dois anos e meio.

Um pequeno trecho de código em Hare:

export fn main() void = {
const hash = sha256::sha256();
const file = os::open(“main.ha”)!;
defer io::close(file)!;
io::copy(&hash, file)!;
let sum: [sha256::SIZE]u8 = [0…];
hash::sum(&hash, sum);
hex::encode(os::stdout, sum)!;
fmt::println()!;
};

Alguns detalhes que você precisa saber

Se você gostou da ideia ou simplesmente quer conferir se o Hare é tudo isso mesmo, antes, tenha alguns detalhes em mente. O primeiro é que a linguagem só está disponível para Linux e FreeBSD. Não há planos para compatibilidade com Windows ou macOS (mas nada impede que terceiros façam uma implementação para esses sistemas).

A segunda é que esta é a primeira versão do Hare, portanto, alguns recursos podem não funcionar como o esperado. Não por acaso, os desenvolvedores do projeto estão procurando voluntários para lidar como aspectos como criptografia e bibliotecas estendidas.

Mais detalhes estão disponíveis no site oficial do Hare.

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